10 coisas que eu odiei em 90210

Cena de 90210

90210 estreou direto na lista de séries que eu sei que eu vou odiar. Com todas as minhas forças. Nitidamente, a série foi incrivelmente mal desenvolvida e parece ter ignorado tudo que tinha de bacana no universo de Darren Star, potencializando seus defeitos. Seguem os meus motivos:

1. A grande sacada do piloto de Barrados no Baile era que ele era um bocado sombrio. E não há outra forma de se contar este tipo de história (apesar de que agora Privileged mostrou que existe o caminho do humor), que gira em torno, basicamente, do conflito social e econômico entre adolescentes. É para mostrar este tipo de conflito que as séries são ambientadas em comunidades exclusivas. Pois 90210 ignora justamente a premissa que fez sucesso em Barrados, em The O.C. e também, em menor proporção, em Gossip Girl, Hidden Palms, Falcon Beach, Veronica Mars… Um exemplo: Dixon (Tristan Wilds) parece ser o único negro em Berverly Hills, mas isto não parece ser problema para sua integração. Ele só se mete em confusão porque, com um treino, rouba lugar no time de outro aluno.

2. E 90210 é tão pouco original, que faz o garoto ser suspenso do time duas vezes em dois episódios.

3. Eu esperava todo um conflito também em torno da relação da família Wilson com Tabitha (Jessica Walter), mas não acontece. Ela realmente não parece alguém que precisa de ajuda (se precisar, tem dinheiro para comprar ajuda) e toda a questão do alcoolismo é tratada de forma superficial (com aqueles diálogos bobos de chá gelado?). Eu esperava que o Walsh, digo, Wilson, fossem viver numa casa mais singela. Mas eles se adaptaram a nova casa tão facilmente como se adaptaram a nova escola.

4. A cena do boquete, no início do episódio, é realmente bacana. E ela é bacana porque ela é a única cena, em todo o episódio, que mostra Annie (Shenae Grimes) ou o irmão chocados com este novo universo. Mas se eu fosse roteirista da série, jamais teria colocado nesta cena Ethan (Dustin Milligan), aquele que, provavelmente, é para ser o mocinho da série. Todo protagonista de série teen uma hora pisa na bola. Estrear pisando na bola, com tamanho estilo, é inédito.

5. Por fim tivemos todo o chamariz das referências a Barrados no Baile. Ok, é divertido para mim ver a Erin Silver crescida, o Nat, ou a Hallee Hirsh aparecendo por um segundo dizendo que seu nome é Hannah Zuckerman-Vasquez. Mas a verdade é que, para o público a quem esta série se destina, isto não significa nada. Eu não fiquei com saudades de Kelly (Jennie Garth), eu fiquei é com pena dela. Ela parece completamente perdida no piloto, como se fosse um fantasma a rondar pela West Beverly Hills High.

Cena de 90210

6. Eu realmente não gostei do casting. Não há nada de paternal nas figuras de Lori Loughlin e do Rob Estes. Pôxa, eles estão aí para ser comparados com Jim e Cindy Walsh, dois dos melhores pais da história da televisão. Tinham que render bem mais.

7. O Penn Badgley está certo. Este padrão de beleza proposto por 90210 não é saudável. Todas as garotas são anoréxicas.

8. Assistindo aos dois primeiros episódios eu entendi a estratégia da CW. Na verdade o piloto era ruim demais para ser entregue aos críticos de TV e por isto a série acabou cercada de sigilo. A exibição de dois episódios, completamente independentes, em seqüência, também foi uma estratégia. O canal sabia que tinha que manter a audiência sintonizada por mais tempo, já que com o piloto o telespectador não criaria vínculo com nenhum personagem. E The Jet Set tinha a Brenda (Shannen Doherty), que era mais um chamariz.

9. Assim como Barrados no Baile, 90210 dá a impressão de que será um bocado moralista. Mas se você não se importa de assistir um monte de garotos imorais, aprendendo a fazer a coisa certa no final de cada episódio, tudo bem, fique a vontade.

Cena de 90210

10. Eu sei que não sou mais jovem (mas nem isto serve de desculpa, uma vez que o programa também foi feito pensando em mim, que cresci vendo Barrados no Baile). Mas não é questão de ser jovem. Greek é jovem e é brilhante. 90210 erra em todos os sentidos. A série é incapaz de reproduzir o que havia de bom em Barrados no Baile. E erra também em não trazer nenhum elemento novo ao este já cansado subgênero do seriados de TV. É mais do mesmo, e mal feito.

Paulo Serpa Antunes: é jornalista e trabalha com produção de conteúdo para Internet desde 1995. É o editor responsável pelo TeleSéries desde 2002. Fã de The West Wing, The Shield, Família Soprano e Ed, entre outros shows.
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