Bones – The Future in the Past
Série: Bones
Episódio: The Future in the Past
Número do Episódio: 8x01
Exibição nos EUA: 17/09/2012
4.8
Ao menos uma vez na vida, alguém aparece e muda todo o sentido da sua existência. Se você tiver sorte de encontrar essa pessoa, você talvez amadureça, mude para melhor. Mais de oito anos se passaram desde que Booth e Brennan se encontraram pela primeira vez. Ambos tão diferentes, tão distantes um do outro, que a única coisa que os atraia era essa química totalmente oposta. Mal sabiam eles que aquele encontro era um ponto de virada na vida dos dois.
Quando Temperance conheceu Seeley, ela era uma substância impermeável, mas não era uma substância forte. Sem traquejo algum, dizia o que bem pensava, preferia o sexo ao amor, tinha muito pouca empatia com as urgências dos outros e quebrava-se fácil. Era engraçado vê-la falar que ela não sabia o significado das coisas. Não sabia mesmo. Por oito temporadas, torcemos a cada segundo para que B&B ficassem juntos. Nesse meio tempo, para que os dois pudessem ser um casal de verdade, foi preciso muita mudança, foi preciso primeiro fazer a Bones acreditar no amor, e Seeley perceber que vale a pena ser um pouco mais paciente.
Assistindo The Future in the Past, lembrei do primeiro encontro, do diálogo sobre o destino, dos amores que os dois tiveram, das decepções e da luta pela vida um do outro, lembrei de como eles passaram de inimigos para colegas, e depois amigos. Lembrei dos olhares de luxúria e devaneios, da conversa no elevador, da compatibilidade mas da falta de afinidade, lembrei dos corações partidos, e lembrei que a estrada foi longa, mas a mudança foi substancial. Ali, na minha frente, estava um casal que se amava. Bones e Booth juntos, uma vez por todas.
Agora, Temperance sabe muito mais do que sabia antes. Aprendeu a olhar nos olhos, a ser mais terna, aprendeu que rir dos sentimentos dos outros não é bacana, e que precisa ter mais cuidado ao ser sincera, aprendeu um monte de outras coisas que a tornaram uma pessoa forte. Se um dia você encontrar alguém que mude o sentido da sua existência, com sorte, com o passar do tempo, você será um ser humano bem melhor. Sempre que penso nisso, acalmo meu coração. Esqueço de alguns detalhes. A história de amor dos dois é sólida, é adulta.
Temperance agora é forte, e Seeley mais compreensível. Ver os dois juntos nesse episódio me fez quase esquecer de que ainda não tivemos uma cena de sexo na série depois de que B&B resolveram juntar os trapos. Sexo não é difícil. A cumplicidade sim.
Começo essa review falando disto, da cumplicidade e companheirismo entre todos os personagens da série, entre o elenco, o Criador e os produtores. O que faz essa série valer a pena, mesmo depois de quase um década desde sua estreia, e o que fez de The Future in the Past um excelente retorno, talvez um prenúncio de que essa temporada será inesquecível.
Hart Hanson sempre disse que Bones era uma série sobre casos. O que discordo, não só eu, como a maioria dos fãs e até o próprio David Boreanaz, que disse em uma entrevista recente que a série não é sobre assassinatos e sim sobre os personagens. Acredito que para um bom drama de investigação dar certo, é preciso de uma boa dose de entrosamento na equipe, bons personagens e boas histórias são essenciais.
O que talvez falte a série é encontrar a balança que faça com que os casos sejam tão interessantes quanto o relacionamento, sem essa de que Bones é um procedural, apenas. O primeiro episódio dessa temporada mostrou exatamente isso. E o que fez tudo ficar no lugar certo? Aquela tal cumplicidade que eu falei antes. Se Angela não fosse tão boa amiga, se Hodgins não fosse tão paciente (ao menos agora), se a Cam não fosse tão profissional, a Caroline confiante, o Clark trabalhador, o Sweets esperaçoso e o Booth persistente, se não fosse por eles, Bones não teria voltado e, muito menos, o Pelant teria sido detido. Tudo ali se encaixava, cada movimento dos squints e do FBI, do Max, e da própria Brennan.
Isso só existe agora porque o tempo passou. Hodgins e Angela, quem poderia imaginar que esses dois seriam capazes de trabalhar separados (pelo bem da Brennan) e em segredo, e mesmo assim se sentirem completos e satisfeitos. O Sweets de agente me deixou confusa e um pouco orgulhosa. Como uma mãe que vê o filho de graduar. Há um tempo, Booth chamava ele de garoto, agora é mais do que um parceiro. Cam não decepcionou um só segundo. Sempre de punho firme e extremamente justa. Uma das melhores cenas desse episódio trouxe ela reconhecendo o trabalho honesto do Clark.
Mas nada transpira mais cumplicidade do que Bones e Booth. E é aqui que muitos vão discordar, mas tenho que admitir que a dinâmica deles tem sido um pouco menos do que esperávamos, mas é o mais próximo da realidade que podemos ter. E isso me deixa feliz. Convenhamos, às vezes, um olhar, um carinho no ombro, é muito mais do que um beijo molhado. Há momentos para tudo (só não vemos os momentos mais quentes), mas dá para saber que eles acontecem. Sinto tanto amor, tanto carinho quando os dois estão juntos. E é aqui que a mudança é mais visível.
Muita gente reclama que os dois não brigam mais, não há rixa e que a Brennan está muito “mole”. Bom, quem já amou alguém sabe muito bem que amor não é tempestade, é terno, vai bem mais além da paixão. Eles foram apaixonados por tanto tempo, nunca puderam se amar, e agora que estão juntos… “nós estamos melhor agora”, disse Brennan entre um sorriso e um olhar de conforto. “Tudo mudou agora que Booth está aqui”, afirmou Max. Sim, tudo mudou. Christine, Booth e Brennan estão juntos. Ficarei muito feliz em ver conversas mais francas entre os dois. Percebi as tentativas da Bones em querer se desculpar pela fuga. E o ressentimento do Booth pela mulher que ele ama – palavras dele – ter fugido com sua filha. Isso deve ser explorado no resto da temporada.
Ah, sim. Todo casal deve se divertir também, considerando o amor entre os dois, acredito que uma cena ou outra mais quente, deve acontecer em breve. Afinal, parece que estão nos “ouvindo” agora, pessoas que falam alto demais. Cena da máquina de lavar? Mmm já virou um clássico. E é por isso que eu me sinto feliz com Bones. Na alegria e na tristeza, é uma série que sabe evoluir. Que se reinventou em formato, em história, e soube passar pelo tempo como se fosse uma jornada necessária. Começo, meio, e o começo do fim.
Altos
Devo pontuar que o Pelant me lembra muito os vilões das temporadas mais velhas. Daqueles que merece muito cuidado, ou como disse o Max; “merece ser morto”. Ainda não sei que tipo de vingança ele tem com Brennan e com o Booth, porque ele a quer presa? Talvez até morta? Quem mais está na mira do Pelant? E porque ele teve aquela atitude suicida? Não tinha sentido firmeza no hacker, quando ele apareceu na sétima temporada, agora, estou segura de que ele chegou para apavorar.
Aprovo o Agente Flynn, ainda mais quando não sabemos o que esperar dele. Lembro ano passado de ter ouvindo o Hanson falar que Pelant tinha um ajudante de dentro do FBI, mas acabou não acontecendo muito coisa na sétima temporada. Qual seria a ligação de Flynn e Pelant? Aquela cena da flor quis dizer o quê? Oremos.
Angela Montenegro é sempre muito querida. Adorei o jeito como as duas se comunicaram durante esses meses. Adorei o exagero super protetor dela com a Brennan e da lealdade com a amiga. Hodgins é um homem de sangue quente. Nós sabemos disso.
Christine é tão adorável que ela ganha fácil o prêmio de bebê mais fofo da televisão e do submundo dos crimes americanos. Viva a área de serviço!
Baixos
Não entendi porque a famosa frase “because you love me”, que aparecia nos vídeos das promos para a nova temporada, foi deletada. Se foi uma escolha de edição, que cortasse alguma outra cena. Ficou feio, ainda mais depois de mostrar a cena no vídeo promocional. Esperava mais do reencontro de B&B. Afinal, três meses. Foram três longos meses.
The Future in the Past
Em um episódio (quase) perfeito, ficou difícil conter a empolgação para essa temporada. O “quase” é por causa da falta de diálogos entre Booth e Bones, o que só se justifica pelo tempo apertado do episódio. E claro, um pouco mais de romance também não faria mal para ninguém. Mas o que mais me impressionou foi o final, foi o Pelant, foi a ameaça constante que vai ser tê-lo por perto.
O caso foi o fio que teceu a história desse episódio. Mostrou quem é o Pelant e o que o time de squints é capaz de fazer. Mostrou que a Bones, mesmo fugindo, trabalhou duro para voltar. O caso foi apenas um caso, um bom caso que pediu o esforço de todos.
The Future in the Past lembrou muito os velhos tempos e mostrou, com maestria, que OITO anos é o tempo necessário para evoluir.
Estava ouvindo uma música hoje cedo. Chama-se For Good e faz parte da trilha do musical Wicked. Fala de destino, e de como somos limitados quando estamos sozinhos, fala também de como mudamos quando aquela pessoa especial aparece em nossas vidas.
Eu ouvi dizer
Que as pessoas entram em nossa vida por uma razão
Trazendo algo que devemos aprender
E somos levados
Àqueles que nos ajudam mais a crescer
Se os permitimos
E os ajudarmos também.
Bem, eu não sei se eu acredito nisso,
Mas eu sei que eu sou quem eu sou hoje
Porque eu te conheci.
Exatamente isso que penso sobre Bones.
Ah, já estou me acostumando com a ‘nova’ abertura! Curti bastante a música, só falta eu me acostumar com a edição.
Para quem não consegue esperar sem um bom spoiler, olha só que delícia é o vídeo promocional do segundo episódio da temporada. Parece que Bones está mesmo de volta!
Até semana que vem!




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