Bones – The Male in the Mail

Série: Bones
Episódio: The Male in the Mail
Temporada: 7ª
Número do episódio: 7×04
Data de exibição nos EUA: 01/12/2011

“Olha, quando for o tempo certo, você conta pra ele… e se ele precisar, você abraçará ele, ok?”

Hank Booth não é um profeta, e nem Bones é uma série famosa por seu trabalho com continuidade, mas  The Male in the Mail veio acabar com essas crenças bobas porque o que foi dito pelo “Pops” no oitavo episódio da quinta temporada guiou um dos melhores capítulos da série.

Os problemas do Agente Booth em relação ao pai abusivo e omissivo chegaram à uma conclusão interessante. Graças à trágica notícia da morte do seu pai, Seeley precisou enfrentar os fantasmas do passado e percebeu que há o bom e o mau em todas as pessoas. Esse foi ao menos o enrendo principal do episódio, tão rico em detalhes remissivos que ficou impossível não querer parar e revisar algumas histórias mais antigas. Vamos relembrar um pouco Bones?A minha primeira lembrança foi do icônico The Santa in the Slush pelo comportamento evasivo do Agente ao saber que Parker não iria passar o Natal com ele. Nunca achei Booth um personagem complexo, mas começo a perceber que o estava subestimando, pois há padrões – mesmo que constantes demais para percebermos – que o fazem do jeito que ele é. Naquele episódio, Booth passou o tempo inteiro tentando não tocar no assunto do seu filho, enquanto Brennan queria fazer o contrário. Cada vez que ela tentava fazer com que o parceiro encarasse de frente a questão, ele a cortava – às vezes sendo nenhum pouco amável.

Logo, passei a recolher em minha mente uma coleção de cenas da Bones ‘desconectada’ – por esse assunto estar virando a cabeça dos fãs da doutora na sétima temporada. Todas as histórias até o momento trouxeram um aprendizado para a futura mamãe, que ficou frágil e até um tanto desesperada para aprender como agir aos moldes de uma pessoa “normal”. Ela deixou para trás a Bones firme, forte e que não tava nem aí para o que os outros pensavam dela, e foi buscar em conselhos e experiências cômicas as lições da sua mudança. E isso incomoda. Mas porquê?

Porque não se pode ter tudo, não se pode também querer que de uma hora para outra ela se adeque, é uma discussão até um pouco boba no meu ver, isso tem rendido cenas divertidas, e é uma continuidade do tom adotado ainda na sexta temporada. Quem não deu risada das cenas da Bones com o “guidos” e suas aventuras na Jersey Shore? Esse é o jeitinho atrapalhado dela de fazer as coisas. Em uma entrevista, a Emily Deschanel falou que o que ela adora na personagem é que quando a Brennan está afim de algo, ela se joga. E é nessa completa imersão que ela está aprendendo a ser mãe e companheira do seu grande amor. No Piloto, em uma conversa que Brennan teve com a Angela, ela reclamava por ter constatado que seria mais ‘conectada’ com ossos do que com humanos.  Bom, era a estréia da série e sei que a personalidade da Brennan foi sendo moldada ao longo dos anos, não só isso, amadurecida.  A célebre frase do episódio 100, “eu não sou uma jogadora, eu sou uma cientista, eu não posso mudar, eu não sei como”, tornou-se o ponto de virada da série, mas foi apenas na temporada seguinte que a Bones mudou, aos poucos foi percebendo que ser diferente é não se encaixar, infelizmente, é assim que acontece. Mudou porque reconheceu o amor, resolveu senti-lo e se entregar. A jovem cientista forte, franca e sem habilidades sociais passou por poucas e boas, e desde sua epifânia em The Doctor in the Photo, nunca mais foi a mesma. Agora, a urgência é visível, de uma hora para outra engravidou e passou a dividir sua vida com Booth. Mesmo assim, reconheço muito da Bones antiga em seus atos.

Outro ponto marcante em The Male in the Mail foi a referência aos bancos azuis de The Blackout in the Blizzard, e toda a carga emocional envolvendo o “dia perfeito” quando o pai do Booth resolve ter um “dia normal” com o filho. Graças a brilhante atuação de David Boreanaz, o telespectador pode sentir junto com seu personagem o quanto aquele momento foi especial, e que isso valeu para enterrar todas as lembranças ruins. As dúvidas que Booth tinha sobre ser um bom pai, ou um homem capaz de matar por raiva, ou sobre ser como o seu próprio pai, foram finalmente ultrapassadas. Ele é “feito de coisa melhor”.

Mas o destaque mesmo vai para Hank Booth e suas maravilhosas observações. Quando o Pops contou para Brennan sobre o passado do pai de seu parceiro em The Foot In the Foreclosure, ele fez um pedido para Temperance. Ela não pestanejou em afirmar que quando chegasse a hora que ele precisasse dela, ela estaria lá para ele. Foi também de Pops a fala que eu mais gosto em toda a série, naquele episódio ele disse para a doutora que ela não queria se arrepender no futuro, e apesar de ter perdido a sua chance uma vez, Brennan resolveu agarrá-la novamente quando pode.

É por isso que o quarto episódio da sétima temporada atingiu um nível acima do esperado. Reunião com precisão de todas as histórias em uma.

The Male in the Mail

Más notícias chegaram pelo correio e não foi a carta triste do papai Booth. O caso da semana mostrou apenas uma maneira criativa de se desfazer de um corpo. Esse foi o ponto mais interessante de um caso nada interessante. O que tem se tornado uma constante em Bones. Já disse isso uma vez e repito: DC é o lugar dos crimes hediondos. Cada motivo besta meu Deus! E a fórmula se repete, parece House! Entrevistam o suspeito, ele finge estar surpreso, aí acusam outro suspeito, erram, erram, até que o Jeffersonian salva o dia, e mais um crime resolvido. Falta criatividade nas investigações, apesar de eu ver novas tecnologias por parte dos squints, o resto é muito fraco. Ver um corpo encaixotado em várias caixas do correio, legal. Ser morto por um ataque de fúria, não tão legal assim. Ao menos o assassino serviu como ponte para o assunto mal resolvido do Booth e a raiva guardada por 20 anos.

E por falar nos squints, gosto quando trabalham juntos. Jack e Clark testando as armas ou cortando as caixa com o laser, demais!

Apesar disso, ver um rosto novo fez bem ao episódio. As aparições da Agente Shaw deveriam ser mais constantes, talvez ela poderia substituir o Sweets – que apesar de querido, perdeu a função na série-.  Até tratada como “chaveirinho” ela já é. Mas há algo nebuloso na personagem da Tina Majorino, ou sou eu que não gosto de gente boazinha demais? Acho que ela é uma Sith no meio dos Jedis! (desculpem, ando com muitos geeks). Mesmo assim, a atriz é querida por muita gente, os fãs de Veronica Mars devem estar adorando vê-la novamente na TV. Mesmo assim, fiquem de olho. A personagem não tem potencial para ser a próxima Hannah, não tem uma história de vida clara, é inteligente, rápida, a maior motivação é trabalhar com o Agente Booth. Hm… não sei não. Qual ao papel dela em Bones? Teorias?

Aliás, nesse episódio em particular, o Sweets poderia ter sido melhor aproveitado, não?

Resolvido o caso, foi hora de lidar com coisas de gente grande. E daí rendeu ótimos momentos, o que para mim, fez valer a pena a sétima temporada. Finalmente o que Pops disse, e vários fãs nunca esqueceram, foi visto na série. A Brennan conseguiu arrumar um jeito de se impor e também de ajudar, viraram um casal forte. O jeito dela se relacionar com as pessoas é em certos casos o mais coerente, apesar de não ser o mais terno, e isso ela pode oferecer para ele. Tempie e Seeley cresceram, cada um do seu jeito.

Altos & Baixos

Quando, em seus sonhos mais loucos, você imaginou ver uma cena de B&B procurando uma casa enquanto toma café e recebendo visita do Pops? É, acontece que isso tudo é realidade e isso tudo me encanta. E a escolha da Brennan sobre Costa Rica? Ao menos fico feliz em saber que segundo pesquisas o país é o lugar ‘mais feliz’ do mundo para se viver e o mais verde também!

Adoro a felicidade dos squints quando eles fazem traquinagem!

Os comentários do Clark… sinto dó, confesso! Mas ele é muito engraçado.

Um ponto baixo foi a pouca interação do Hank com a Bones. Queria ver mais os três juntos.

E a participação do Ben Savage (Boys Meets World) poderia ter sido melhor aproveitada.


Melhor Cena

Coloque dois bons atores em sua sala cheia de carga emocional e veja como eles se saem. Se a performance for perto do que a Emily e o David conseguiram, tenha certeza de que realmente deram conta do recado. A última cena do episódio teve poucas palavras e recados bem dados. Brennan e Booth compartilharam em dose certa a precisão das ações e as suas emoções, pois ele também precisa aprender a mudar um pouco. A solução para os impasses arrumados pelo casal ao longo da história foi bonita e verdadeira. Isso não é para qualquer um.

Em outras palavras

Foi maravilhoso, com poucas ressalvas. Aprofundou ainda mais uma série “episódica” que jura que existe para resolver casos e não dramas. Adoro o caminho que estamos seguindo, sei que isso não é unânime, mas se ao menos todos se permitissem mais, como a Brennan tem feito, poderia ao menos entender que a constância e previsibilidade são para shows medianos. Ter raiva, xingar, rir e chorar, ah! isso é para poucos.

Grande atuação também do Ralph Waite no papel do Pops. Não custa lembrar ao Booth que seu pai também foi filho.

Dou nota 10 (queria dar 9.8 pela falta de beijos entre B&B).

Soundtrack do episódio ficou por conta da Lex Land com a música What Happens Now. As músicas de Bones ficando cada vez mais ligadas à série, fugindo até dos hits do momento e buscando conectar às letras aos personagens. Muito bom!

Até o próximo episódio, pessoas!

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Maria Clara Lima: Editora do TeleSéries, jornalista, escreve a coluna Conexão. Considera-se a personificação do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Começou a curtir séries muito cedo com A Gata e o Rato e Lois & Clark. Atualmente vê Bones, Hot in Cleveland, It's Always Sunny in Philadelphia, entre outras. Fã de um bom livro, música country e do Clark Kent!
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