Bones – The Twist in the Twister

Série: Bones
Episódio: The Twist in the Twister
Temporada: 
Número do episódio: 7×05
Data de exibição nos EUA: 08/12/2011

Quando uma série dura muito tempo ela pode evoluir, crescer junto com os personagens e se tornar uma coisa completamente diferente daquela de quando começou. Ou, nos muitos casos, ela pode descer ladeira a baixo, virar um show de horrores, e terminar com uma sensação de que já foi tarde. Bones está entre esses dois caminhos. No sétimo ano, tentando se reinventar, assumindo os riscos de um enredo inesperado, a balança começa a sair do limbo da imparcialidade. Pende para o lado ruim.

No quinto capítulo, penúltimo antes do longo hiato, a série ainda não convenceu  os fãs se devem ou não continuar à assistir Bones. O tão esperado romance entre Booth e Brennan não serve nem como segundo plano nos episódios, as aventuras dos novos papais Angela e Hodgins são apenas pincelas cômicas para preencher o roteiro e o resto dos personagens? Ah, aparecem quando convém. Camille está mais apagada do que nunca, Sweets, mais desnecessário do que nunca. Se não é um show sobre os personagens, isso não deveria incomodar tanto, mas incomoda.

Já o Hart, tenta nos convencer de que Bones é uma série sobre casos, uma série que começa e termina a cada episódio. Bom, se fosse isso, ao menos os casos deveriam ser melhores. A sétima temporada não teve um único caso intrigante, foram mortes – perdoem-me pela constatação – chatas e fúteis. Com investigações previsíveis e chatas. E até os atores que recheiam a série com tipos de bandidos e mocinhos foram chatos! É por essas e outras que eu digo: a balança começa a pesar para a chatice. E em The Twist in the Twister nem o Gibbons salvou, foi um episódio morno, com frases prontas e piadas sem graça, uma receitinha de bolo de leite sem açúcar e nem sal.

Abertura

Qual seria a sua reação ao achar um corpo? Por anos, Bones insiste em colocar uma historinha no início do episódio para mostrar como foi encontrado o corpo do crime a ser investigado. As pessoas estão fazendo coisas do seu cotidiano, trombam com o pobre esqueleto, e saem gritando. Aí você preenche a cena com catadores de lixo, crianças inocentes, adolescentes safados… é sempre a mesma coisa. Quando o roteiro escapa dessa fórmula, é um exceção, um resquício de criatividade que foi parar na abertura do episódio.

Não, eu não quero ver ou ouvir diálogos idiotas e uma reação ridícula de pessoas vendo ossos. Gritos! Sempre gritos!

Caso

Quem morreu? Vi Bones três vezes essa semana e eu não lembro quem morreu. Ou quem matou. Ou quem estava nesse episódio. Lembro de um tornado… do Fisher… o quê mais? Sabe porque eu não lembro? – além da minha péssima memória- Eu não lembro porque nada disso importa! O que aconteceu com os misteriosos casos do FBI? Onde estão os corpos achados em tumbas de faraós ou diplomatas sendo mandado pelos ares em carros bombas? Eu não lembro do que aconteceu em The Twist in the Twister, mas ao menos esse episódio me fez querer escutar Van Halen e assistir meu DVD de Twister! Aquilo sim é coisa bem feita.

Ah, lembrei de algo. Da cena EDITADA do Booth tentando levantar a Brennan quanto a doutora estava no campo examinando os restos mortais. Essa cena era bem mais divertida nas promos. É… Fox…

Enfim, alguém me confirma se quem matou o pobre esqueleto desse episódio foi o primeiro que foi investigado? Porque pela lógica não-criativa da série, o criminoso é sempre aquele que é descartado de primeira. E, ultimamente, pelos motivos mais bobos possíveis. O que foi que a vítima fez? Nada? Não iria me surpreender.

The Twist in the Twister

Quando uma série tem uma temporada com começo, meio e fim, ao decorrer da história dá para medir a sua evolução. De vez em quando, aparece um episódio ‘filler’ para preencher o vazio criativo de quem tem que escrever mais de 20 episódios em um único ano. Mas Bones não é uma série com roteiro amarradinho e nessa temporada não terá mais de 20 episódios, então porque eu continuo com a sensação de que 4 dos 5 episódios que tivemos até agora foram ‘fillers’?

Um episódio desperdiçado com as aventuras amorosas do Fisher, com a gostosura do bebê Michael e seu problema de insônia, das desavenças sem fundamentos de B&B. Um desperdício só de tempo que já não temos! Sem contar que a minha paciência já esgotou com a tamanha irrelevância do Sweets nesta série. Torci para quele ele fosse sugado pelo cone de vento em fúria e… ah! Esqueçam.

Para aqueles que ‘surtam’ com as migalhas de B&B jogadas aos fãs como pedaços de pão para cães famintos… abram os olhos, não é assim que se conta a história de um romance. Casais se tocam, conversam sobre coisas além de crimes, e não começam a se ajustar depois de meses de relacionamento. O que vocês estão vendo é enganação, das grossas. Casais adultos que esperam bebês fazem muito mais do que isso.

Cena Final

Alguém notou que o telefone da Hannah ainda habita a residência do senhor Seeley Booth? Que vilania é essa, meu Deus?! Sim, eu sou do tipo que olha para detalhes.

A cena final não empolgou também. Brennan está errada em querer se enfiar nesse tipo de aventura e o Booth sempre foi protetor, então porque reclamar agora? Enfim, Booth continuará super protetor. 7 anos disso, e ninguém se cansa.

Nota 7.5 (Ganhou meio ponto por ter mencionando o Mr. Nigel Murray e pelo Gibbons ter falado da infância da Angie)

Lista de Coisas Para Fazer Durante o Hiato

Cortesia minha, para pessoas que, como eu, precisam de diversão durante dois longos hiatos que a série sofrerá antes de voltar em abril.

- Leia livros do Arthur Conan Doyle, Edgar Allan Poe e Jô Soares. Quem gosta de mistério, aqui fica a minha dica. O mestre britânico, o americano e o brasileiro. Todas as narrativas diabolicamente divertidas.

- Assista Charada, Rede de Intrigas (1976) e Tempo de Matar. Não são de certo os melhores filmes sobre crimes, mas são bons filmes. Gostaria de ver a algo assim em Bones.

- Reveja as primeiras temporadas de Bones e se tiver um tempinho extra, assista Joan of Arcadia, do Hart.

Bom, para vocês que permanecem ao lado da Bones, na saúde e na pobreza, até breve! Janeiro está aí.

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Maria Clara Lima: Editora do TeleSéries, jornalista, escreve a coluna Conexão. Considera-se a personificação do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Começou a curtir séries muito cedo com A Gata e o Rato e Lois & Clark. Atualmente vê Bones, Hot in Cleveland, It's Always Sunny in Philadelphia, entre outras. Fã de um bom livro, música country e do Clark Kent!
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