Existe Two and a Half Men sem Charlie Sheen? Veja como foi a estreia da nova temporada nos EUA

O pessoal mais jovem não deve lembrar, mas no ano 2000, lá se vão 11 anos, a TV americana foi sacudida por uma mudança no elenco de uma sitcom. Depois de quatro temporadas de grande sucesso, Michael J. Fox se afastava de Spin City (ou Limpando a Barra, como ficou conhecida em alguns canais brasileiros) para se concentrar na sua luta contra o Mal de Parkinson. O ator escolhido para substituir um dos astros mais carismáticos da TV americana tinha que ser alguém igualmente talentoso. O escolhido foi Charlie Sheen – justamente este Charlie Sheen que ganhou os noticiários por abusar das drogas e perder o emprego em Two and a Half Men. Spin City nunca mais foi a mesma, é verdade, mas o show continuou e a chama seguiu acesa.
A história se repete em 2011 – por um motivo menos nobre que a doença de Fox, claro, mas se repete. Neste dia 19 de setembro, Two and a Half Men estreou sua nona temporada nos Estados Unidos com a missão de se reinventar: Charlie Sheen está fora e Ashton Kutcher inicia a difícil missão de se tornar o protagonista da série. A expectativa era gigantesca e a CBS soube aproveitá-la: o episódio introduzindo o novo personagem conquistou sua maior audiência da história (média final de 28,74 milhões de telespectadores, certamente a maior audiência da TV no ano pra um programa de ficção). A pergunta é? Este hype vai durar? Pelo que indica a season premiere a resposta é: sim, Kutcher está vindo pra ficar e Two and a Half Men tem muita estrada pela frente.

O episódio Nice to Meet You, Walden Schmidt é um dos mais engraçados dos últimos anos. Não teria como ser diferente, mostrando personagens tão egoístas como Alan, Evelyn, Berta e Jake (este meio apagado, com poucas falas na premiere) lidando com a morte de Charlie Harper. O episódio abre com o velório, de caixão fechado, e um multidão de belas ex-namoradas de Charlie participando da cerimônia. Foi uma surpresa ver lado a lado atrizes de renome como Jery Ryan, Jenny McCarthy, Missi Pyle, Emmanuelle Vaugier, Liz Vassey e Katherine La Nasa topando participar desta breve cena.
Alan:
Eu entendo que alguns de vocês tem “sentimentos conflitantes”… mas eu acho que todos concordamos que Charlie viveu uma vida plena e deu tudo o que tinha de si.
Isabella (personagem de Jodi Lyn O’Keefe):
Ele me deu herpes.
Chelsea (personagem da atriz Jennifer Taylor):
Clamídia.
Gail (personagem da Number Six Tricia Helfer):
Verrugas vaginais.

Encerrado o velório, é hora de Evelyn colocar a venda a mansão em Malibu. Pausa pra mais duas participações especiais. A primeira, totalmente desnecessária, foi de John Stamos. E a outra, esta sim surpreendente, foi de Jenna Elfman e Thomas Gibson, reprisando seus papéis da sitcom Dharma & Greg, uma das primeiras séries de sucesso de Chuck Lorre. A presença dos dois, especialmente de Thomas Gibson, depois de tantos anos impregnado no papel do durão agente Hotch de Criminal Minds, foi pra mim a cereja no bolo do episódio, uma bela distração que mostra a sensibilidade de Lorre para perceber que este episódio seria um marco histórico na TV americana (veja bem, não está em julgamento se o episódio é ou não um marco, os números de audiência, neste momento de crise da TV americana, dizem isto claramente).
E Kutcher? Seu personagem, Walden Schmidt, entra em cena apenas aos 10 minutos do episódio.

Walden, nu:
Eu sou o Walden.
Berta, olhando para o corpo dele:
E eu estou impressionada.
O grande desafio de Two and a Half Men era substituir o carismático Charlie Harper sem simplesmente cloná-lo e sem mudar radicalmente a fórmula do show. A solução foi criar um personagem diferente, mas mantendo o contraponto com o loser Alan. Walden é doce, simpático, afetuoso e desligado, o contrário de Charlie. Mas, como Charlie, ele tem a vida fácil: é bonito, sedutor, rico, bem dotado e excêntrico (como sugere as duas cenas em que fica nu em público), características que devem bastar para ao longo das próximas 21 semanas enervar Alan. O curioso é que a solução serve para Chuck Lorre, mas também cai como uma luva para Ashton Kutcher – que já possui certa relevância em Hollywood e tudo o que não poderia era reprisar o papel do abobado Michael Kelso de That ’70s Show, personagem que o levou a fama. Isto também não acontece.
Ainda é cedo pra dizer se esta nova formação de Two and a Half Men dará certo – e a semana que vem é tão importante quanto esta, porque os roteiristas precisam bolar uma boa desculpa pra Alan e Walden viverem juntos e ainda temos que ver como será a dinâmica de Walden com Jake (que, espero, seja ótima). Mas o começo foi promissor. E, se Spin City durou dois anos sem Michael J. Fox é possível, sim, que Two and a Half Men tenha vida longa sem Charlie Sheen.

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