O Fim de Damages
Foram cinco anos de um embate velado, disfarçado por uma falsa simpatia e uma tentativa vã de convivência pacífica. O último episódio de Damages veio para amarrar as pontas soltas, não só da temporada, mas de toda a série. A parceria que se tornou uma obsessão mútua, teve enfim sua resolução, não sem deixar pelo caminho alguns danos irreparáveis. Depois das três primeiras temporadas beirando a perfeição e uma quarta que decepcionou boa parte da audiência, a quinta fechou a história da série de maneira satisfatória, mas não à altura do seu começo exemplar.
Desde o começo da temporada ficou claro que a real motivação das advogadas era travar uma luta pessoal, um duelo que decidiria de vez quem é a melhor. Pelo menos aparentemente, já que no fim do episódio, Patty deixa claro que na verdade queria tirar da Ellen o seu pior, ou melhor, dependendo do ponto de vista. E ela conseguiu. A aprendiz de capeta foi responsável por duas mortes, mesmo que indiretamente.
O caso foi escolhido por elas como se escolhe uma arena de batalha. De um lado a mentora, que sempre conseguiu ocultar o seu verdadeiro caráter muitas vezes até mesmo para o telespectador. Do outro a pupila, que sempre ficou indecisa entre o que precisava ser feito e o que a sua consciência permitia. O problema maior da trama apresentada foi usar personagens que não permitiram ao telespectador escolher um lado. Todos contribuíram de alguma forma para a morte de Naomi Walling. Qualquer um que levasse a pior seria mais que merecido.
Enquanto Ellen buscava vingança pela morte do seu noivo e sua tentativa de assassinato, Patty seguia em sua missão doentia de criar uma continuação de si mesma, usando a mais nova para perpetuar o seu legado, vendo nela a filha que perdeu. O que ela não sabia era que, em um determinado momento, a criação poderia se revoltar contra a criatura, causando danos irreparáveis, como a morte do seu filho. Foi interessante ver de onde saiu tanta obstinação das duas, e nos dois casos, o responsável foi o pai. As duas guardavam traumas, e precisavam provar que eram capazes de vencer, não por causa, mas apesar dos seus pais. Mas o final de cada uma foi bem diferente. Enquanto Parsons conseguir seguir em frente, deixando pra trás não só a sua carreira como advogada, mas toda a mágoa que guardava, Hewes não conseguiu esquecer tudo o que passou. Mas o pior de tudo foi ver que tinha perdido a sua melhor obra, Ellen Parsons.
Sobre o episódio em si, poderia ser mais sutil e menos didático. A necessidade de mostrar tudo tão detalhadamente passou a impressão de que a história era tão mal elaborada que precisava de algo a mais para convencer. Sem contar alguns furos de roteiro, como o assassinato do hacker Samurai Seven que não foi explicado. Ou a morte do Rutger Simon, que mereceria uma investigação mais detalhada. Apesar de alguns derrapes, Damages vai fazer falta. Muitos defendiam que a série terminasse na terceira temporada, mas foi interessante saber mais da história pregressa de Patty Hewes. A série marcou por roteiros elaborados, estrutura narrativa interessante e um elenco de primeira. Com certeza merece ser revista dentro de algum tempo.
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Bianca A. C. Maus
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Thiago FLS
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lu
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Márcio
