Preview: Fringe

Fringe - PilotoFringe, a nova série de J.J Abrams (Lost, Alias), teve o seu episódio piloto “vazado” na Internet. A série é um dos programas mais aguardados dessa fall season e isso começou ainda no ano passado quando a Fox anunciou que Abrams assinaria uma nova série e que ela seria seu carro-chefe para a temporada 2008-2009.

Apontada como o Arquivo X do século XXI, Fringe promete ser uma das grandes séries dessa temporada, com a cara do seu produtor: mistérios, organizações poderosas, muito suspense e uma boa dose de teorias que com certeza vão começar a surgir para explicar os fatos que serão explorados pela série. Mesmo ainda sendo o primeiro episódio (e podendo sofrer alterações até a sua estréia), Fringe deixa boas impressões do que os seus telespectadores podem esperar desse novo trabalho de J.J Abrams.

Fringe já tem início em um avião com uma alta dose de suspense. Enquanto que a aeronave sofre de turbulência intensa por conta de uma tempestade, um dos passageiros se mostra muito mais apreensivo e nervoso em relação aos demais. Nesse momento, ele retira de sua maleta uma seringa de insulina e injeta em seu corpo, mas que parece não surtir efeito visto que ele continuava extremamente preocupado. As cenas que seguem parecem aqueles filmes de terror e uma mutação generalizada toma conta da aeronave e todos os passageiros começam a sofrê-la, se transformando em algo bizarro, como se estivessem derretidos ou coisa do tipo. Esta é apenas uma das premissas contadas pela série e mostradas nesse episódio, porque a coisa não parou por aí.

Logo somos apresentados a Olivia Dunham (Anna Torv) e John Scott (Mark Valley, da série Justiça sem Limites), ambos agentes do FBI e que mantém, às escuras, um relacionamento amoroso. Depois do que houve com o vôo 627, todos as agências receberam um comunicado para enviarem os seus agentes e para trabalharem em constante transição, como equipe. Com isso, os dois são designados a investigar um armazém para descobrir algo mais e dão de cara com um possível suspeito do que aconteceu com os passageiros da aeronave. Mas a operação falha e John Scott, com a explosão, acaba sendo exposto ao mesmo tipo de experimento sofrido pelos tripulantes do avião.

Começa, então, a luta de Olivia para encontrar uma cura e ela descobre que existe uma ligação entre o experimento e um cientista chamado Walter Bishop, que foi contratado pelo Governo Americano há alguns anos atrás para fazer experimentos que envolviam teleportação, invisibilidade e mutação genética, além de outras coisas. Para poder conversar com Bishop, Olivia teria que ter contato com algum familiar dele, haja vista que depois dos fracassos dos experimentos e da acusação de que usava humanos como cobaias, ele foi preso no manicômio e só pode receber visitas de parentes próximos. É assim que surge o personagem do ator Joshua Jackson (Dawson’s Creek), Peter Bishop que, assim como o pai, esconde segredos que ainda não foram revelados.

Mas Olivia descobre também que este não é o primeiro caso, mas que existe um “padrão” para que coisas desse tipo aconteçam como, por exemplo, crianças que desaparecem e que depois retornam sem envelhecerem, outros aviões que janelas começam a explodir sem nenhuma razão específica, etc. Existem muitos casos que não foram relatados e este do avião é apenas o primeiro de uma série de histórias que serão desencadeadas.

Como é de praxe nas séries do J.J Abrams, sempre existe algum tipo de organização por trás desses experimentos. Em Lost foi a Hanso Foundation, aqui em Fringe temos a Massive Dynamics, empresa para a qual Walter Bishop prestava serviços. Talvez este seja um problema de séries neste estilo de mistério, essa existência de uma organização por trás das coisas que acontecem. Na verdade, não encaro isso como um defeito. Apesar de ser um clichê (e dos grandes), é muito melhor fazer dessa forma do que ficar querendo inventar coisas impossíveis, fugindo até mesmo da realidade. Empresas como vemos tanto em Lost quanto agora em Fringe, já estão acostumadas a esconder aquilo que fazem. Afinal de contas, qual a organização que hoje não esconde?

Fringe - PilotoFringe, então, conseguiu manter um ritmo intenso e alucinante nesse piloto, desde os bons travellings usados na primeira cena que conduziu melhor os quadros para que o seu telespectador obtivesse uma visão panorâmica do avião, mas que também pudesse sentir a estesia do pânico que estava ocorrendo no ambiente, até as boas perseguições que aconteceram ao longo do episódio. A direção de Alex Graves (alguém sabe por que o J.J Abrams não dirigiu?) é simples, mas também não compromete aquilo que está sendo contado.

Ainda assim, essa tentativa demasiada em querer transmitir todos os movimentos e tudo o que acontece em cena, acaba criando uma direção muito preocupada nos detalhes e sem uma ousadia em criar planos diferentes dos habituais, o que é característico no trabalho de J.J Abrams. Um outro ponto negativo que pode ser observado, são as piadinhas feitas por Joshua Jackson ao longo do capítulo, na grande maioria sem a miníma graça. Mas, de qualquer maneira, Fringe mostrou que tem realmente força para ser o carro-chefe da Fox e de entrar para a lista dos trabalhos bem-sucedidos de J.J Abrams.

Adaptado de texto publicado orignalmente no weblog Sob a Minha Lente

Vinícius Silva: é autor do blog Sob a Minha Lente. Fã de One Tree Hill, Lost, 24 Horas, Friday Night Lights e House.
Leia outros textos de Vinícius Silva.