Review: Lost – Ab Aeterno

Lost – Ab Aeterno

Série: Lost
Episódio: Ab Aeterno
Temporada:
Número do Episódio: 111 (6×09)
Data de Exibição nos EUA: 23/3/2010 na ABC
Data Prevista de Exibição no Brasil: 6/4/2010 no AXN

Geralmente, costumo me prolongar nas reviews, escrever textos longos e escruciar alguns detalhes minuciosos dos episódios que acabei de ver. Talvez para fazer mais do que uma descrição do episódio, não sei ao certo. Negócio que fiz isso no texto de Dr. Linus (clique aqui), episódio centrado em Ben, e também no de Recon (clique aqui), centrado em Sawyer.

Não vou repetir isso em Ab Aeterno, centrado em Richard Alpert. Não será necessário. Uma coisa é criticar negativamente uma obra (há muito material para se trabalhar), outra é procurar detalhes que talvez tenham passado despercebido ao telespectador comum (as nuances são as mais difíceis de serem relatadas).

Mas quando o episódio joga diretamente na sua cara o quão sensacional ele é… não há muito há fazer, a não ser ficar de queixo caído. E dizer que ele foi “perfeito”.

Nos meus outros textos da série, sempre encerrei com a ressalva de tanto Lost, como qualquer outra coisa, não é perfeita. Talvez Ab Aerterno nem tenha sido tão perfeito assim. O começo foi meio abrupto, com Ilana fazendo um briefing da situação dos “candidatos”, aceito bem até demais pelos ouvintes, inclusive Jack. Quero dizer, se você estivesse naquele grupo à fogueira, não comentaria o tanto de absurdo que aconteceu à você nos últimos três anos?

Porém, isso é só um detalhe. É picuinha de quem não quer dar o braço a torcer por acabar de ver algo “perfeito”.

O grupo da fogueira foi coadjuvante. Ignoremos eles dessa vez. O centro das atenções foi mesmo o consiglieri Richard Alpert, imortal da ilha que não envelhece há diversas gerações. E que dessa vez, teve seu passado revelado de maneira surpreendente, tanto em desenvolvimento de personagem quanto com foco na mitologia da ilha.

Em 1867, nas Ilhas Canárias, Ricardo estava em desespero para salvar sua mulher enferma. Cruzou o território a cavalo à procura de um médico, que acabou matando por acidente. Para piorar a situação, sua mulher não resistiu aos ferimentos, ele foi condenado à morte e um padre local disse que não há perdão para o assassinato, afirmando que o inferno estava à sua espera assim que ele morresse.

Mas, como sabia falar ingês, Ricardo foi comprado por Hanso e viajou no Black Pearl Rock até o novo mundo como um escravo. Infelizmente, uma tempestade provocada por Jacob levou o navio para o meio da ilha, destruindo inclusive a estátua. Então, com a tripulação perdida no meio do nada, sem mantimentos, ela se viu obrigada a cruelmente matar os escravos acorrentados no porão do navio.

Ato impedido pelo monstro de fumaça.

Daí em diante, o que temos em seguida é a já dita perfeição do episódio.

Os eventos no porão do navio, com Ricardo tentando desesperadamente se livrar das correntes, alcançar sem sucesso a água da chuva e até mesmo afugentar javalis, foi próximo do poético. Fraco, combalido, desesperado pelo perdão divino e vendo a esposa morta, Ricardo se encontra então no meio de uma batalha maniqueísta, entre o bem e o mal, entre Jacob e o Monstro de Fumaça (talvez, não necessariamente nessa mesma ordem).

Lost – Ab Aeterno

A trama da história se desenvolveu. Interessado em rever a esposa, ele faz um acordo com o Homem de Preto: se enfiar uma adaga no peito de Jacob, terá sua mulher de volta. Porém, Jacob foi mais rápido (e enfático) se comparado com o que acontecerá várias décadas depois com ele e Benjamim. Ricardo então, acreditando que Jacob é o lado bom, que acredita no livre arbítrio, trabalhará para ele como conselheiro dos “homens incorruptíveis” em troca da vida eterna – afinal, foi-lhe negado sua mulher ou a salvação do inferno.

A dicotomia entre as entidades foi extrema. Lost caiu de cabeça na batalha entre bem e o mal, céu e inferno, talvez algo próximo de Deus e o diabo. Mas o fez de maneira acertada, inteligente e quase poético. Nestor Carbonell, intérprete de Richard Alpert, foi perfeito no episódio, que grande parte do tempo foi falado em espanhol.

E encerrando com chave de ouro (tirando a conversa entre Jacob e MIB ou Locke ao fundo após a revelação da fuga do diabo, que soaram como ganchos forçados), Hurley fez uma participação pontual trazendo Richard de volta à si. Foram muitos anos acreditando que não escaparia do inferno, que não teria a esposa de volta, mas por breves momentos ele conseguiu seu paraíso na terra. Por um breve minuto, ele conversou com a mulher depois tantas décadas. E nesse breve momento, tive a absoluta certeza de que o que eu acabei de ver foi perfeito.

É isso, Lost fez novamente. Dêem um Emmy pra esse episódio, para Nestor Carbonell, para Michael Giacchino e sua trilha sonora, para o seriado… Eu me rendo, foi perfeito!

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Thiago Sampaio: Fã de ER, The Office, Família Soprano, Third Watch, Em Terapia e Battlestar Galactica. Não o convide para assistir Grey's Anatomy.
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