Spoiler: De volta ao divã. A nova temporada de Em Terapia

Em Terapia (In Treatment), a grata surpresa da temporada passada, está de volta com novos episódios nos Estados Unidos. Apesar dos novos atores interpretando novos pacientes em um novo consultório, a essência e carga dramática da série continua a mesma – o que parecia difícil de conseguir, graças a seu brilhante primeiro ano. Mas claro, apesar das mudanças de rumo, ainda temos como figura central o complexo Dr. Paul Weston, interpretado de maneira grandiosa por Gabriel Byrne.
Baseado na série israelense Betipul, Em Terapia tem a premissa de mostrar as consultas diárias dos pacientes de Paul de segunda à quinta, para que na sexta-feira ele mesmo tenha sua sessão com sua antiga mentora. No primeiro ano tivemos os conflitos com Laura (anestesista apaixonada por ele), Alex (piloto traumatizado), Sophie (ginasta suicida) e finalmente Amy e Jake (casal em conflito). E dessa vez? O que nos reserva essa segunda temporada?
Antes de tudo, é importante lembrar que estamos falando de uma série com personagens psicologicamente densos passando por terapia, e que a riqueza dos mesmos pode vir com o tempo. Logo, fica meio difícil delinear em poucas palavras (como de maneira rasa fiz no parágrafo anterior) como é cada personagem. Mas tentemos mesmo assim.

Nas segundas temos Mia (Hope Davis, de Seis Graus de Separação), advogada de sucesso e sem família constituída, que culpa Paul por sua vida solitária, após, segundo ela, ter a terapia interrompida por ele há mais de vinte anos.

É curioso apontar que Mia Wasikowska era o nome da jovem atriz que de maneira brilhante interpretou a adolescente Sophie, na temporada passada. A jovem dessa vez é April (Alison Pill, que esteve no filme Milk – A Voz da Igualdade), paciente das terças, estudante de arquitetura, auto-suficiente, com irmão autista e em negação com seu diagnóstico de linfoma. Foi a minha personagem favorita nesta primeira semana.

Cedo dizer, mas os dois seguintes não me agradaram tanto. Nas quartas temos Oliver (Aaron Shaw) e seus pais em processo de divórcio, que tem idéias diferentes de como lidar com o filho: o pai (Russell Hornsby, Playmakers) quer que ele lide sozinho com seus problemas, a mãe (Sherri Saum, Rescue Me) quer protegê-lo de tudo e de todos.

E nas quintas, o veterano John Mahoney (Frasier), dá vida a Walter, empresário ocupado que se orgulha de nunca ter se estressado na vida, até seus recentes ataques de ansiedade após a viagem de sua filha médica até Ruanda. Apesar do início cadenciado, acredito que há muito a se explorar nesses dois dias.

E no último dia, na sexta, Paul revê sua mentora Gina (Dianne Wiest) e revela todas as suas falhas, defeitos e erros como pessoa, e que pouco comete como terapeuta. Sua vida está em frangalhos: o pai de Alex (Glynn Turman) o processou pelo possível suicídio do filho, está divorciado depois de sua desventura com Laura, afastado dos filhos e de casa nova em New York, onde fica seu novo consultório.
Passou-se apenas uma semana, e o que já tivemos é promissor. Mas o melhor de tudo é que como vimos na temporada passada, a coisa só tende a melhorar.
Entretanto, a segunda temporada de In Treatment sofreu alterações no formato de exibição. Antes, a HBO exibia um episódio por dia, respeitando a “data do episódio”. Por questões de audiência, a ordem mudou: agora são dois episódios no domingo e mais três na segunda. Por um lado, ficou mais fácil acompanhar o seriado, sem ficarmos preso ao formato de telenovela, com exibição diária. Por outro, fica a derrota da arte pelo retorno financeiro, já que essa não é uma série pra todo mundo.
Antes de tudo, odeio essa arrogância da afirmação de que há séries inteligentes demais. Mas infelizmente esse é o caso Em Terapia. Aqui não há ação: apenas diálogos brilhantes. Fica difícil vender uma série pouco movimentada como essa sem, entre outros, vencer o preconceito de quem não acredita em terapia (aliás, pauta constante dos episódios), o que resulta na baixa audiência da série.
Mas não faz mal. Ela tem dado seu retorno como os Emmys para Dianne Wiest e Glynn Turman, o Globo de Ouro de Gabriel Byrne, e diversas outras indicações. Enquanto seu brilhantismo tomar forma em seus roteiros e atuações, pouco importa a audiência: ainda assim teremos nossas excelentes sessões semanais de terapia alheia.
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