
A minha infância ocorreu lá nos idos da década de 80 e se teve uma coisa que me marcou profundamente foram os tokusatsu (como nós conhecemos as séries ou live-action japonesas de super-heróis). E dentre os tokusatsu que eu assistia teve três que se destacaram: Jaspion, Changeman e Jiraya.
Dos três, Jaspion era o que eu menos gostava, mas foi o primeiro a chegar pro aqui e por isso é tão importante (e também tem o fato de eu adorar o vilão MacGaren). A série tratava da busca do herói pela bÃblia galáctica (e as cinco crianças) que permitiria que derrotasse o grande vilão Satan Goss. Foi febre aqui no Brasil na época e eu tinha até disco do Jaspion. Sinto pena dos meus pais que eram obrigados a me ouvir cantar o tempo todo, principalmente quando tentava cantar a abertura em japonês.

Changeman era um Super Sentai (como Power Rangers, por exemplo) e dentre as séries do gênero era o meu preferido. Cinco jovens militares foram dotados de super poderes baseados em animais lendários (Dragon, Pegasus, Griphon, Mermaid e Phoenix), para defender a Terra dos alienÃgenas de Gôzma. Eu amava esta série mais do que qualquer outra. Tinha adoração pela Sayaka (Change Mermaid), ganhei máscara e espada, e fazia minha vó costurar roupas iguais as dela para colocar nas minhas barbies.

Já Jiraya tinha uma proposta um pouco diferente, o seu herói era um ninja, e suas aventuras não se baseavam tanto em super poderes e mais nas suas habilidades (embora as habilidades japonesas dos ninjas sejam tão fantásticas que poderiam ser classificadas como super poderes que eu não teria problema algum com a classificação). Ao contrário dos outros tokusatsu ele dava para mim uma sensação mais real e me deixava com aquela impressão de que se eu treinasse muito e me esforçasse de verdade chegaria a um nÃvel de excelência como a dos personagens (que hoje, praticando Armas de Corte, eu vejo que não tinham nada de excelentes, mas o que importa é como eu os via na época).
Minha paixão pelos tokusatsu era tão grande que quando minhas aulas de dança conflitaram com os episódios eu entrei em pânico e só sosseguei quando ensinei a babá do meu irmão a usar o vÃdeo-cassete para gravar os episódios para mim. Bons tempos aquele…




