Se me perguntarem qual é o cineasta que mais admiro em vou dar uma resposta intelectual, tipo Woody Allen. Mas, pensando melhor, é pura mentira. Ontem ao ler a notícia do falecimento de John Hughes, aos 59 anos, vítima de um ataque cardíaco, me dei por conta que a obra dele talvez tenha influenciado a minha vida mais do que a de qualquer outro diretor e roteirista de Hollywood.
Os quatro primeiros filmes que dirigiu e escreveu, Gatinhas & Gatões (Sixteen Candles), O Clube dos Cinco (The Breakfast Club), Mulher Nota 1000 (Weird Science) e Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off), somado a A Garota de Rosa Shocking (Pretty in Pink, que apenas escreveu, a direção foi de Howard Deutch), estão marcados como ferro em brasa no meu cérebro, de tantas e tantas vezes que os assisti, primeiro em fitas VHS locadas, depois nas incontáveis reprises da Sessão da Tarde – afinal, nestes filmes sempre tinha uma galera muito pirada aprontando altas confusões.
Curtindo a Vida Adoidado e A Garota de Rosa Shocking, em especial, tem o mesmo efeito pra mim que Chaves e Chapolin tem pra esta massa de pessoas que assistem suas constantes reprises no SBT. Se estou zapeando e estes filmes estão passando, eu preciso parar para assistir, não tem jeito – “Oh, Yeah”.
Confesso que não sei dizer exatamente qual o tamanho da influência destes filmes na minha vida, até porque acredito que sejam muito mais profundas que eu posso imaginar e moldaram a minha adolescência – talvez por isto eu tenha sido um jovem meio loser, tipo o Duckie, de A Garota de Rosa Shocking. Sei que até hoje eu me arrepio ouvindo “If You Leave”, do OMD. E que o roteiro de O Clube dos Cinco me empolga até hoje, com a forma inteligente como ele desconstrói os papéis sociais do universo escolar (sejamos sinceros, aqui no Brasil não existe futebol americano, nem cheerleaders, mas os papéis são exatamente os mesmos).
Os jovens atores dos fiilmes de John Hughes também se tornaram meus ídolos e seguidamente eu me pego perseguindo eles, assistindo um filme ou uma série, mesmo quando são ruins, apenas porque eles estão lá. E pra não dizer que esta postagem ficou totalmente off-topic, afinal este é um site especializado em seriados de TV, decidi listar alguns dos jovens atores com quem Hughes trabalhou e os seriados que eles andaram fazendo. Confira a seguir.
E obrigado Hughes!

Jon Cryer era o grande personagem cômico de A Garota de Rosa Shocking e este talento, felizmente, não se perdeu na história. Depois de estrelar algumas séries fracassadas e alguns filmes ruins (quem acha que Smallville detonou com a lenda do Super-Homem precisa rever Superman IV, onde ele faz o papel de Lenny Luthor, o sobrinho de Lex), a grande chance surgiu em Two and a Half Men. A sitcom mais assistida dos Estados Unidos já rendeu quatro indicações ao Emmy para Cryer e sei que muita gente torce para que este ano ele finalmente seja premiado.

Molly Ringwald, estrela adolescente de Gatinhas & Gatões, A Garota de Rosa Shocking e O Clube dos Cinco, virou mãe de adolescente na série The Secret Life of the American Teenager. Dizem que a série, ainda inédita no Brasil, tem uma vibe bem anos 80, o que, convenhamos, cai como uma luva para Ringwald.

O vilão de A Garota de Rosa Shocking era James Spader que, bom, dispensa apresentações, especialmente depois de viver por seis anos o vibrante advogado Alan Shore em O Desafio e Justiça sem Limites. Com três prêmios Emmy, ele é o ator de drama mais premiado da TV na década.

Já o mocinho de A Garota de Rosa Shocking era Andrew McCarthy, um dos galãs adolescentes da época. Andou meio fora da mídia, estrelando shows de curta duração como Kingdom Hospital e E-Ring. O sucesso do colega Patrick Dempsey abriu as portas para que ganhasse um papel de quarentão charmoso na TV. Virou o milionário Joe Bennett em Lipstick Jungle. Infelizmente, a série não durou muito.

Anthony Michael Hall ficou marcado como geek nos filmes de Hughes, mas na visão de Hughes em Gatinhas & Gatões, O Clube dos Cinco e Mulher Nota 1000, até que ser geek não era tão ruim assim. Hall cresceu e continou geek, produzindo e estrelando a bacana The Dead Zone (ou O Vidente, no SBT), baseada no romance de Stephen King. Curiosidade: Hall tomou sua primeira cerveja em outro filme escrito por Hughes, Férias Frustradas, com Chevy Chase.

Ally Sheedy é outra estrela teen dos 80 e é lembrada mesmo como a freaky de O Clube dos Cinco. Segue trabalhando, em papéis menores no cinema e na TV, onde esteve em séries como Kyle XY, The Dead Zone e CSI. Seu último trabalho na televisão foi na season finale de Psych, como uma surtada serial killer. O que é bem bacana, já que Psych adora fazer referências a cultura pop dos anos 80.

Judd Nelson encarnou o bad boy John Bender em O Clube dos Cinco, um de seus primeiros trabalhos em Hollywood. Fez carreira no cinema, mas experimentou a rotina de gravar uma sitcom fazendo par romântico com Brooke Shields nas três primeiras temporadas de Suddenly Susan nos anos 90. Mais recentemente, passou a aparecer como coadjuvante em dramas policiais – o último deles foi Eleventh Hour.

Atualmente é mais fácil ver Emilio Estevez atrás das câmeras do que como ator. O esportista de O Clube dos Cinco virou diretor e já gravou episódios de O Guardião, Cold Case, CSI:NY, Close to Home e Numb3rs. Justamente por isto todo mundo parou para ver sua participação especial no ano passado em Two and a Half Men, a sitcom estrelada pelo irmão, Charlie Sheen. Foi o máximo.

Antes de virar polígamo em Big Love, Bill Paxton, fez o papel do irmão valentão Chet em Mulher Nota 1000. Parenteses: Weird Science, seu título em inglês, virou seriado de TV nos anos 90, com cinco temporadas. O filme tinha ainda no elenco o Robert Downey Jr., no comecinho da carreira.

Clássico maior dos anos 80, Curtindo a Vida Adoidado foi escrito e dirigido por Hughes e é o papel da vida do Matthew Broderick. Broderick nos últimos tempos é mais conhecido por ser marido da Sarah Jessica Parker do que por seus trabalho em cinema. Tá, sejamos honestos, o negócio dele é a Broadway, onde ganhou dois Tony e emplacou a montagem original de The Producers. Pouco trabalha em TV, mas em 2008, teve uma passagem brilhante por 30 Rock, no papel do funcionário público Cooter Burger.

Alan Ruck, o Cameron de Curtindo a Vida Adoidado, quem diria, acabou ficando frio e linha dura, igual aos pais do seu personagem no filme. Virou o reitor Bowman da universitária série Greek. Antes disto Ruck estrelou a clássica sitcom Spin City.

Nos anos 90, Hughes se afastou da direção e voltou seu talento para produzir e escrever comédias familiares. Emplacou a franquia Esqueceram de Mim, revelando Macaulay Culkin. A estrela mirim, no entanto, não resistiu a pressão e não foi bem sucedido na transição da carreira para papéis mais adultos. Há anos se cogita seu nome no elenco de produções de TV e a chance finalmente apareceu em Kings, série ainda inédita no Brasil. Infelizmente, quando seu personagem entrou em cena a série já havia sido cancelada.




